Departamento de Estado dos EUA
26 de maio de 2022
Secretário de Estado Antony J. Blinken
Universidade George Washington
Washington, DC

SECRETÁRIO BLINKEN: Obrigado. Bom dia.

É um grande prazer estar aqui na Universidade George Washington. Esta é uma instituição que atrai estudantes e acadêmicos de destaque de todo o mundo, e onde os desafios mais urgentes que enfrentamos como país e planeta são estudados e debatidos. Então, obrigado por nos receberem aqui hoje.

E quero agradecer especialmente a nossos amigos da Sociedade Asiática, dedicados a estreitar laços com os países e povos da Ásia para tentar aumentar a paz, a prosperidade, a liberdade, a igualdade e a sustentabilidade. Obrigado por nos receberem hoje e por sua liderança todos os dias. Kevin Rudd, Wendy Cutler, Danny Russel — todos colegas, todos formadores de opinião, mas também realizadores, e é sempre maravilhoso estar com vocês.

E devo dizer que estou muito grato, senador Romney, por sua presença aqui hoje — um homem, um líder que admiro muito, uma pessoa de princípios tremendos, que tem liderado o assunto sobre o qual vamos falar hoje. Senador, obrigado pela sua presença.

Também estou encantado por ver tantos membros do corpo diplomático porque a diplomacia é uma ferramenta indispensável para moldar nosso futuro compartilhado.

Nos últimos dois anos, nos reunimos a fim de combater a pandemia da Covid-19 e nos preparar para futuras emergências globais de saúde, nos reconstruir dos choques econômicos, das interrupções na cadeia de suprimentos e das crises de endividamento, enfrentar as mudanças climáticas, e reimaginar um futuro energético que é mais limpo, mais seguro e mais acessível.

O denominador comum entre esses esforços é o simples fato de que nenhum de nós pode enfrentar esses desafios sozinho. Temos de enfrentá-los juntos.

É por isso que colocamos a diplomacia de volta no centro da política externa americana, para nos ajudar a realizar o futuro que os americanos e as pessoas ao redor do mundo buscam — um onde a tecnologia seja usada para elevar as pessoas, não suprimi-las; onde as relações comerciais e o comércio apoiam os trabalhadores, aumentam os rendimentos, criam oportunidades; onde os direitos humanos universais são respeitados; os países estão protegidos da coerção e da agressão, e as pessoas, ideias, bens e capitais circulam livremente; e onde as nações podem tanto traçar seus próprios caminhos quanto trabalhar juntas efetivamente em uma causa comum.

Para construir esse futuro, devemos defender e reformar a ordem internacional baseada em regras — o sistema de leis, acordos, princípios e instituições que o mundo se uniu para construir após duas guerras mundiais a fim de administrar as relações entre os Estados, prevenir conflitos e defender os direitos de todas as pessoas.

Seus documentos fundadores incluem a Carta da ONU e a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que consagraram conceitos como autodeterminação, soberania, solução pacífica de controvérsias. Não são construções ocidentais. São reflexos das aspirações compartilhadas do mundo.

Nas décadas seguintes, apesar dos desafios assustadores e da lacuna entre nossos ideais e alguns dos resultados que alcançamos, os países do mundo evitaram outra guerra mundial e conflito armado entre potências nucleares. Construímos uma economia global que tirou bilhões de pessoas da pobreza. Promovemos os direitos humanos como nunca.

Agora, ao olharmos para o futuro, queremos não apenas sustentar a ordem internacional que possibilitou grande parte desse progresso, mas modernizá-la, garantir que ela represente os interesses, os valores, as esperanças de todas as nações, grandes e pequenas, de todas as regiões; e, além disso, que possa enfrentar os desafios que enfrentamos agora e enfrentaremos no futuro, muitos dos quais estão além do que o mundo poderia ter imaginado sete décadas atrás.

Mas esse resultado não é garantido porque os fundamentos da ordem internacional estão sob sério e contínuo risco.

O presidente russo, Vladimir Putin, representa uma ameaça clara e presente. Ao atacar a Ucrânia há três meses, ele também atacou os princípios de soberania e integridade territorial, consagrados na Carta da ONU, que visa proteger todos os países de serem conquistados ou coagidos. É por isso que tantos países se uniram para se opor a essa agressão, porque a veem como um ataque direto às bases de sua própria paz e segurança.

A Ucrânia está lutando bravamente para defender seu povo e sua independência com assistência sem precedentes dos Estados Unidos e de países ao redor do mundo. E embora a guerra não tenha acabado, o presidente Putin fracassou em alcançar um único de seus objetivos estratégicos. Em vez de apagar a independência da Ucrânia, ele a fortaleceu. Em vez de dividir a Otan, ele a uniu. Em vez de afirmar a força da Rússia, ele a minou. E em vez de enfraquecer a ordem internacional, ele reuniu países para defendê-la.

Mesmo que a guerra do presidente Putin continue, continuaremos focados no mais sério desafio de longo prazo à ordem internacional — o qual é imposto pela República Popular da China.

A China é o único país com a intenção tanto de reformular a ordem internacional quanto o poder econômico, diplomático, militar e tecnológico, cada vez mais, [e com capacidade] para fazê-lo. A visão de Pequim nos afastaria dos valores universais que têm sustentado grande parte do progresso do mundo nos últimos 75 anos.

A China também é parte integrante da economia global e de nossa capacidade de resolver desafios desde o clima até a Covid. Simplificando, os Estados Unidos e a China têm de lidar um com o outro no futuro próximo.

É por isso que esta é uma das relações mais complexas e consequentes que temos no mundo hoje.

Ao longo do último ano, o governo Biden desenvolveu e implementou uma estratégia abrangente com o intuito de aproveitar nossos pontos fortes nacionais e nossa rede incomparável de aliados e parceiros para realizar o futuro que buscamos.

Não estamos procurando conflito ou uma nova Guerra Fria. Pelo contrário, estamos determinados a evitar ambos.

Não procuramos impedir a China de exercer seu papel de grande potência, nem impedir a China — ou qualquer outro país, aliás — de desenvolver sua economia ou promover os interesses de seu povo.

Mas defenderemos e fortaleceremos o Direito Internacional, acordos, princípios e instituições que mantêm a paz e a segurança, protegem os direitos de indivíduos e nações soberanas, e possibilitam que todos os países — incluindo os Estados Unidos e a China — coexistam e cooperem.

Bem, a China de hoje é muito diferente da China de 50 anos atrás, quando o presidente Nixon rompeu décadas de relações tensas para se tornar o primeiro presidente dos EUA a visitar o país.

Naquela ocasião, a China estava isolada e lutando contra a pobreza e a fome generalizadas.

Atualmente, a China é uma potência global com alcance, influência e ambição extraordinários. É a segunda maior economia, com cidades e redes de transporte público de nível mundial. Abriga algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo e busca dominar as tecnologias e indústrias do futuro. Modernizou rapidamente suas Forças Armadas e pretende se tornar uma força de combate de primeira linha com alcance global. E anunciou sua ambição de criar uma esfera de influência no Indo-Pacífico e se tornar a principal potência do mundo.

A transformação da China se deve ao talento, à engenhosidade, ao trabalho árduo do povo chinês. Também foi possível pela estabilidade e oportunidade que a ordem internacional oferece. Indiscutivelmente, nenhum país na Terra se beneficiou mais com isso do que a China.

Mas em vez de usar seu poder para reforçar e revitalizar as leis, os acordos, os princípios, as instituições que possibilitaram seu sucesso para que outros países também possam se beneficiar deles, Pequim os está minando. Sob a liderança do presidente Xi, o Partido Comunista Chinês no poder se tornou mais repressivo internamente e mais agressivo no exterior.

Vemos isso na forma como Pequim aperfeiçoou a vigilância em massa na China e exportou essa tecnologia para mais de 80 países; como o avanço de reivindicações marítimas ilegais no Mar do Sul da China, minando a paz e a segurança, a liberdade de navegação e o comércio; como está burlando ou violando as regras comerciais, prejudicando trabalhadores e empresas nos Estados Unidos, mas também em todo o mundo; e como pretende defender a soberania e a integridade territorial ao lado de governos que descaradamente os violam.

Mesmo enquanto a Rússia estava claramente se mobilizando para invadir a Ucrânia, o presidente Xi e o presidente Putin declararam que a amizade entre seus países era — e passo a citar — “sem limites”. Ainda nesta semana, quando o presidente Biden estava visitando o Japão, China e Rússia realizaram uma patrulha estratégica de bombardeiros na região.

A defesa que Pequim faz da guerra do presidente Putin que visa apagar a soberania da Ucrânia e garantir uma esfera de influência na Europa deve soar o alarme para todos nós que chamamos a região do Indo-Pacífico de lar.

Por essas e outras razões, este é um momento tenso para o mundo. E em momentos como estes, a diplomacia é vital. É como deixamos claras nossas preocupações profundas, entendemos melhor a perspectiva de cada um e não temos dúvidas sobre as intenções de cada um. Estamos prontos para aumentar nossa comunicação direta com Pequim em uma ampla gama de questões. E esperamos que isso possa acontecer.

Mas não podemos contar com Pequim para mudar sua trajetória. Assim, moldaremos o ambiente estratégico em torno de Pequim a fim de promover nossa visão de um sistema internacional aberto e inclusivo.

O presidente Biden acredita que esta década será decisiva. As medidas que tomamos internamente e com os países do mundo determinarão se nossa visão compartilhada do futuro será realizada.

Para ter sucesso nesta década decisiva, a estratégia do governo Biden pode ser resumida em três palavras — “investir, alinhar e competir”.

Vamos investir nas bases de nossa força internamente — nossa competitividade, nossa inovação, nossa democracia.

Alinharemos nossos esforços com nossa rede de aliados e parceiros, atuando com propósito comum e em causa comum.

E aproveitando esses dois ativos principais, competiremos com a China para defender nossos interesses e construir nossa visão para o futuro.

Assumimos esse desafio com confiança. Nosso país é dotado de muitos pontos fortes. Temos vizinhos pacíficos, uma população diversificada e crescente, recursos abundantes, a moeda de reserva do mundo, as Forças Armadas mais poderosas da Terra e uma próspera cultura de inovação e empreendedorismo que, por exemplo, produziu várias vacinas eficazes que agora protegem pessoas em todo o mundo da Covid-19.

E nossa sociedade aberta, no seu melhor, atrai fluxos de talento e investimento, e tem uma capacidade de reinvenção testada pelo tempo, enraizada em nossa democracia, nos empoderando para encarar quaisquer desafios que enfrentemos.

Primeiro, sobre investir em nossa força.

Após a Segunda Guerra Mundial, enquanto nós e nossos parceiros estávamos construindo a ordem baseada em regras, nosso governo federal também estava fazendo investimentos estratégicos em pesquisa científica, educação, infraestrutura, nossa força de trabalho, criando milhões de empregos de classe média e décadas de prosperidade e liderança em tecnologia. Mas tomamos essas fundações como garantidas. E então é hora de voltar ao básico.

O governo Biden está fazendo investimentos de longo alcance em nossas principais fontes de força nacional — começando com uma estratégia industrial moderna para sustentar e expandir nossa influência econômica e tecnológica, tornar nossa economia e cadeias de suprimentos mais resilientes e aprimorar nossa vantagem competitiva.

No ano passado, o presidente Biden sancionou o maior investimento em infraestrutura de nossa história: visando modernizar nossas rodovias, nossos portos, aeroportos, ferrovias e pontes; mover mercadorias para o mercado mais rapidamente, com o intuito de aumentar nossa produtividade; expandir a internet de alta velocidade para todos os cantos do país; atrair mais empresas e mais empregos para mais partes dos Estados Unidos.

Estamos fazendo investimentos estratégicos em educação e capacitação de trabalhadores, para que os trabalhadores americanos — os melhores do mundo — possam projetar, construir e operar as tecnologias do futuro.

Como nossa estratégia industrial se concentra em tecnologia, queremos investir em pesquisa, desenvolvimento e fabricação avançada. Sessenta anos atrás, nosso governo gastou mais que o dobro em pesquisa como uma porcentagem de nossa economia do que gastamos agora — investimentos que, por sua vez, catalisaram a inovação do setor privado. Foi assim que vencemos a corrida espacial, inventamos o semicondutor, construímos a internet. Costumávamos ficar em primeiro lugar no mundo em P&D como proporção de nosso PIB — agora somos o nono. Enquanto isso, a China subiu do oitavo para o segundo lugar.

Com o apoio bipartidário do Congresso, reverteremos essas tendências e faremos investimentos históricos em pesquisa e inovação, inclusive em áreas como inteligência artificial, biotecnologia, computação quântica. Essas são áreas que Pequim está determinada a liderar — mas, dadas as vantagens dos Estados Unidos, a concorrência é nossa a perder, não apenas em termos de desenvolvimento de novas tecnologias, mas também em moldar como elas são usadas em todo o mundo, para que estejam enraizadas em valores democráticos, não autoritários.

A liderança — o senador Romney e outros — a Câmara e o Senado aprovaram projetos de lei para apoiar essa agenda, incluindo bilhões para produzir semicondutores aqui e fortalecer outras cadeias de suprimentos críticas. Agora precisamos que o Congresso envie a legislação ao presidente para sua assinatura.

Podemos fazer isso, e não dá para esperar — as cadeias de suprimentos estão se movendo agora, e se não as atrairmos aqui, elas serão estabelecidas em outro lugar. Como o presidente Biden disse, o Partido Comunista Chinês está fazendo lobby contra essa legislação — porque não há melhor maneira de aprimorar nossa posição e influência global do que cumprir nossa renovação doméstica. Esses investimentos não apenas tornarão os Estados Unidos mais fortes; eles nos tornarão um parceiro e aliado mais forte também.

Uma das coisas mais poderosas e até mágicas sobre os Estados Unidos é que há muito somos um destino para pessoas talentosas e motivadas de todas as partes do planeta. Isso inclui milhões de estudantes da China, que têm enriquecido nossas comunidades e criado laços duradouros com os americanos. No ano passado, apesar da pandemia, emitimos mais de 100 mil vistos para estudantes chineses em apenas quatro meses — nossa taxa mais alta de todos os tempos. Estamos entusiasmados por eles terem escolhido estudar nos Estados Unidos — temos sorte de tê-los.

E temos sorte quando os maiores talentos globais não apenas estudam aqui, mas permanecem aqui — como fizeram mais de 80% dos estudantes chineses que buscaram doutorados em Ciência e Tecnologia nos Estados Unidos nos últimos anos. Eles ajudam a impulsionar a inovação dentro do país, e isso beneficia a todos nós. Podemos ficar atentos à nossa segurança nacional sem fechar nossas portas.

Também sabemos através de nossa história que, quando estamos administrando uma relação desafiadora com outro governo, as pessoas desse país ou com essa herança podem sentir que não pertencem aqui — ou que são nossos adversários. Nada poderia estar mais longe da verdade. Os chineses americanos fizeram contribuições inestimáveis a nosso país; eles têm feito isso há gerações. Maltratar alguém de ascendência chinesa vai contra tudo o que defendemos como país — seja um cidadão chinês visitando ou morando aqui, ou um chinês americano, ou qualquer outro asiático americano cuja reivindicação a este país seja igual à de qualquer outra pessoa. Racismo e ódio não têm lugar em uma nação construída por gerações de imigrantes com o intuito de cumprir a promessa de oportunidade para todos.

Temos profundas diferenças com o Partido Comunista Chinês e o governo chinês. Mas essas diferenças são entre governos e sistemas — não entre nosso povo. O povo americano tem grande respeito pelo povo chinês. Respeitamos suas conquistas, sua história, sua cultura. Valorizamos profundamente os laços de família e amizade que nos conectam. E desejamos sinceramente que nossos governos trabalhem juntos em questões que importam para a vida deles e para a vida dos americanos, e inclusive para as vidas das pessoas ao redor do mundo.

Há outra fonte central de força nacional com a qual contaremos nesta década decisiva: nossa democracia.

Há cem anos, se nos perguntassem o que constitui a riqueza de uma nação, poderíamos listar a extensão de nossa terra, o tamanho de nossa população, a força de nossos militares, a abundância de nossos recursos naturais. E felizmente, ainda somos ricos em todos esses atributos. Mas, mais do que nunca, neste século 21, a verdadeira riqueza de uma nação é encontrada em nosso povo — nossos recursos humanos — e em nossa capacidade de revelar todo o seu potencial.

Fazemos isso com nosso sistema democrático. Debatemos, discutimos, discordamos, desafiamos uns aos outros, incluindo nossos líderes eleitos. Lidamos com nossas deficiências abertamente; não fingimos que elas não existem nem as varremos para debaixo do tapete. E embora o progresso possa parecer dolorosamente lento, difícil e medonho, em geral trabalhamos consistentemente em direção a uma sociedade onde pessoas de todas as origens possam florescer, guiadas por valores nacionais que nos unem, nos motivam e nos elevam.

Não somos perfeitos. Mas em nosso melhor, sempre nos esforçamos para ser — nas palavras de nossa Constituição — uma união mais perfeita. Nossa democracia é projetada para que isso aconteça.

Isso é o que o povo americano e o modelo americano oferecem, e é um dos ativos mais poderosos nesta disputa.

Ora, Pequim acredita que seu modelo é o melhor; que um sistema centralizado liderado por partidos é mais eficiente, menos confuso e, em última análise, superior à democracia. Não buscamos transformar o sistema político da China. Nossa tarefa é provar mais uma vez que a democracia pode enfrentar desafios urgentes, criar oportunidades, promover a dignidade humana; que o futuro pertence àqueles que acreditam na liberdade e que todos os países serão livres para traçar seus próprios caminhos sem coerção.

A segunda parte de nossa estratégia é o alinhamento com nossos aliados e parceiros a fim de promover uma visão compartilhada para o futuro.

Desde o primeiro dia, o governo Biden tem trabalhado para reenergizar a rede inigualável de alianças e parcerias dos Estados Unidos e para se reengajar em instituições internacionais. Estamos incentivando os parceiros a trabalharem uns com os outros e por meio de organizações regionais e globais. E estamos formando novas coalizões visando ajudar nosso povo e enfrentar as provações do próximo século.

Em nenhum lugar isso é mais verdadeiro do que na região do Indo-Pacífico, onde nossas relações, incluindo nossas alianças de tratados, estão entre as mais fortes do mundo.

Os Estados Unidos compartilham a visão de que os países e povos de toda a região têm: uma de um Indo-Pacífico livre e aberto, onde as regras são desenvolvidas de forma transparente e aplicadas de forma justa; onde os países são livres para tomar suas próprias decisões soberanas; onde bens, ideias e pessoas fluem livremente pela terra, pelo céu, pelo ciberespaço, pelo mar aberto, e a governança é responsiva às pessoas.

O presidente Biden reforçou essas prioridades esta semana com sua viagem à região, onde reafirmou nossas alianças vitais de segurança com a Coreia do Sul e o Japão, e aprofundou nossa cooperação econômica e tecnológica com os dois países.

Ele lançou a Estrutura Econômica para a Prosperidade do Indo-Pacífico, iniciativa inédita para a região. Ela vai, nas palavras do presidente: “ajudar as economias de todos os nossos países a crescer mais rápido e de maneira mais justa”. A Ipef, como a chamamos, renova a liderança econômica americana, mas a adapta para o século 21, abordando questões de ponta como economia digital, cadeias de suprimentos, energia limpa, infraestrutura e corrupção. Uma dúzia de países, incluindo a Índia, já aderiram. Juntos, os membros da Ipef representam mais de um terço da economia global.

O presidente também participou da Cúpula de Líderes dos países do Quad — Austrália, Japão, Índia e Estados Unidos. O Quad nunca se reuniu no nível de líderes antes do presidente Biden tomar posse. Desde que convocou a primeira reunião de líderes no ano passado, o Quad teve quatro Cúpulas. Tornou-se uma equipe regional líder. Esta semana, lançou uma nova Parceria do Indo-Pacífico para Conscientização do Domínio Marítimo, a fim de que nossos parceiros em toda a região possam monitorar melhor as águas próximas às suas costas visando combater a pesca ilegal e proteger seus direitos marítimos e sua soberania.

Estamos revigorando nossa parceria com a Asean. No início deste mês, sediamos a Cúpula EUA-Asean para enfrentar juntos questões urgentes, como saúde pública e crise climática. Esta semana, sete países da Asean se tornaram membros-fundadores da Estrutura Econômica do Indo-Pacífico. E estamos construindo pontes entre nossos parceiros do Indo-Pacífico e europeus, inclusive convidando aliados asiáticos para a Cúpula da Otan em Madri no próximo mês.

Estamos aumentando a paz e a estabilidade no Indo-Pacífico; por exemplo, com a nova parceria de segurança entre a Austrália, o Reino Unido e os Estados Unidos, conhecida como Aukus.

E estamos ajudando os países da região e do mundo a derrotar a Covid-19. Até o momento, os Estados Unidos forneceram quase US$ 20 bilhões para a resposta global à pandemia. Isso inclui mais de 540 milhões de doses de vacinas seguras e eficazes doadas — não vendidas — sem amarras políticas, a caminho de 1,2 bilhão de doses em todo o mundo. E estamos coordenando com um grupo de 19 países um plano de ação global para vacinar as pessoas

Como resultado de toda essa diplomacia, estamos mais alinhados com parceiros em todo o Indo-Pacífico e estamos trabalhando de maneira mais coordenada em direção aos nossos objetivos compartilhados.

Também aprofundamos nosso alinhamento em todo o Atlântico. Lançamos o Conselho de Comércio e Tecnologia EUA-UE no ano passado, reunindo o peso combinado de quase 50% do PIB mundial. Na semana passada, juntei-me ao secretário Raimondo, ao embaixador Tai e a nossos homólogos da Comissão Europeia para nossa segunda reunião a fim de trabalhar juntos em novos padrões de tecnologia, coordenar a triagem de investimentos e controles de exportação, fortalecer as cadeias de suprimentos, impulsionar a tecnologia verde, e melhorar a segurança alimentar e a infraestrutura digital nos países em desenvolvimento.

Enquanto isso, nós e nossos parceiros europeus deixamos de lado 17 anos de litígio no que se refere a aeronaves; agora, em vez de discutirmos uns com os outros, estamos trabalhando a fim de garantir condições equitativas para nossas empresas e trabalhadores nesse setor.

Da mesma forma, trabalhamos com a União Europeia e outros para resolver uma disputa sobre importações de aço e alumínio, e agora estamos nos reunindo em torno de uma visão compartilhada sobre padrões climáticos mais elevados e protegendo nossos trabalhadores e indústrias dos esforços deliberados de Pequim visando distorcer o mercado para sua vantagem.

Estamos em parceria com a União Europeia com o objetivo de proteger a privacidade de nossos cidadãos enquanto fortalecemos uma economia digital compartilhada que depende de grandes fluxos de dados.

Com o G20, chegamos a um acordo histórico sobre um imposto mínimo global para deter a corrida ao fundo do poço, garantir que as grandes corporações paguem sua parte justa e dar aos países ainda mais recursos a fim de investir em seu povo. Mais de 130 países assinaram até agora.

Nós e nossos parceiros do G7 buscamos uma abordagem coordenada, de alto padrão e transparente para atender às enormes necessidades de infraestrutura nos países em desenvolvimento.

Convocamos cúpulas globais para derrotar a Covid-19 e renovar a democracia global e aderimos novamente ao Conselho de Direitos Humanos da ONU e à OMS, a Organização Mundial da Saúde.

E em um momento de grande provação, nós e nossos aliados energizamos novamente a Otan, que agora está mais forte do que nunca.

Todas essas ações visam defender e, conforme necessário, reformar a ordem baseada em regras que deve beneficiar todas as nações. Queremos liderar uma corrida ao topo em tecnologia, clima, infraestrutura, saúde global e crescimento econômico inclusivo. E queremos fortalecer um sistema em que o maior número possível de países possa se unir para cooperar efetivamente, resolver diferenças pacificamente, escrever seus próprios futuros como soberanos iguais.

A nossa diplomacia se baseia na parceria e no respeito pelos interesses de cada um. Não esperamos que todos os países tenham exatamente a mesma avaliação da China que nós. Sabemos que muitos países — incluindo os Estados Unidos — têm laços econômicos vitais ou interpessoais com a China que desejam preservar. Não se trata de forçar os países a escolher. Trata-se de dar-lhes uma escolha, para que, por exemplo, a única opção não seja um investimento obscuro que deixe os países endividados, fomente a corrupção, prejudique o meio ambiente, não crie empregos ou crescimento local e comprometa o exercício da soberania dos países. Ouvimos em primeira mão sobre o “remorso de comprador” que esses negócios podem causar.

A cada passo, estamos consultando nossos parceiros, ouvindo-os, levando suas preocupações a sério, criando soluções que abordam seus desafios e prioridades únicos.

Há uma crescente convergência sobre a necessidade de abordar as relações com Pequim com mais realismo. Muitos de nossos parceiros já sabem, com base em uma experiência dolorosa, como Pequim pode ser dura quando fazem escolhas que não lhe agradam. Como na primavera passada, quando Pequim impediu que estudantes e turistas chineses viajassem para a Austrália e impôs uma tarifa de 80% sobre as exportações de cevada australiana, porque o governo da Austrália pediu uma investigação independente sobre a origem da Covid. Ou em novembro passado, quando navios da Guarda Costeira chinesa usaram jatos d’água para impedir o reabastecimento de um navio da Marinha filipina no Mar do Sul da China. Ações como essas lembram ao mundo como Pequim pode retaliar contra o que reconhecem como oposição.

Há outra área de alinhamento que compartilhamos com nossos aliados e parceiros: os direitos humanos.

Os Estados Unidos estão com países e pessoas de todo o mundo contra o genocídio e os crimes contra a humanidade que acontecem na região de Xinjiang, onde mais de 1 milhão de pessoas foram colocadas em campos de detenção por causa de sua identidade étnica e religiosa.

Estamos juntos em relação ao Tibete, onde as autoridades continuam a fazer uma campanha brutal contra os tibetanos e sua cultura, língua e tradições religiosas, e em Hong Kong, onde o Partido Comunista Chinês tem imposto duras medidas antidemocráticas sob o pretexto da segurança nacional.

Pois bem, Pequim insiste que essas são questões internas que outros não têm o direito de suscitar. Isso está errado. Seu tratamento de minorias étnicas e religiosas em Xinjiang e no Tibete, juntamente com muitas outras ações, vai contra os princípios centrais da Carta da ONU que Pequim cita constantemente e a Declaração Universal dos Direitos Humanos a que todos os países devem aderir.

A anulação da liberdade de Pequim em Hong Kong viola seus compromissos de transferência, consagrados em um tratado depositado nas Nações Unidas.

Continuaremos a levantar essas questões e pedir mudanças — não para nos posicionarmos contra a China, mas para defender a paz, a segurança e a dignidade humana.

Isso nos leva ao terceiro elemento de nossa estratégia. Graças ao aumento dos investimentos em nosso país e ao maior alinhamento com aliados e parceiros, estamos bem-posicionados para superar a China em áreas-chave.

Por exemplo, Pequim quer se colocar no centro da inovação e da manufatura globais, aumentar a dependência tecnológica de outros países e usar essa dependência para impor suas preferências de política externa. E Pequim está fazendo um grande esforço visando vencer essa competição — por exemplo, aproveitando a abertura de nossas economias com o intuito de espionar, hackear, roubar tecnologia e know-how a fim de fazer avançar sua inovação militar e consolidar seu Estado de vigilância.

Assim, à medida que garantimos que a próxima onda de inovação seja desencadeada pelos Estados Unidos e por nossos aliados e parceiros, também nos protegeremos contra esforços para desviar nossa engenhosidade ou pôr em risco nossa segurança.

Estamos aprimorando nossas ferramentas visando proteger nossa competitividade tecnológica. Isso inclui controles de exportação novos e mais fortes a fim de garantir que nossas inovações cruciais não acabem nas mãos erradas; maiores proteções para a pesquisa acadêmica, com o intuito e criar um ambiente aberto, seguro e favorável à ciência; melhores defesas cibernéticas; segurança mais forte para dados confidenciais; e medidas mais rigorosas de triagem de investimentos com o objetivo de defender empresas e países contra os esforços de Pequim para obter acesso a tecnologias, dados ou infraestrutura crucial confidenciais; comprometer nossas cadeias de suprimentos; ou dominar os principais setores estratégicos.

Acreditamos — e esperamos que a comunidade empresarial entenda — que o preço de admissão ao mercado chinês não deve ser o sacrifício de nossos valores fundamentais ou vantagens competitivas e tecnológicas de longo prazo. Contamos com as empresas a fim de buscar o crescimento com responsabilidade, avaliar os riscos com sobriedade e trabalhar conosco não apenas para proteger, mas também fortalecer nossa segurança nacional.

Por muito tempo, as empresas chinesas tiveram um acesso muito maior a nossos mercados do que nossas empresas tiveram aos mercados na China. Por exemplo, os americanos que desejam ler o China Daily ou se comunicar via WeChat são livres para fazê-lo, mas o New York Times e o Twitter são proibidos ao povo chinês, exceto àqueles que trabalham para o governo que usam essas plataformas com o intuito de espalhar propaganda e desinformação. As empresas americanas que operam na China estão sujeitas à transferência sistemática de tecnologia forçada, enquanto as empresas chinesas nos Estados Unidos têm sido protegidas por nosso Estado de Direito. Cineastas chineses podem comercializar livremente seus filmes para donos de cinemas americanos sem qualquer censura do governo dos EUA, mas Pequim limita estritamente o número de filmes estrangeiros permitidos no mercado chinês, e aqueles que são permitidos estão sujeitos a pesada censura política. Os negócios da China nos Estados Unidos não temem usar nosso sistema legal imparcial para defender seus direitos — na verdade, eles estão frequentemente nos tribunais alegando reclamações contra o governo dos Estados Unidos. O mesmo não acontece com as empresas estrangeiras na China.

Essa falta de reciprocidade é inaceitável e insustentável.

Ou considere o que aconteceu no mercado de aço. Pequim direcionou investimentos excessivos de empresas chinesas, que então inundaram o mercado global com aço barato. Ao contrário das empresas americanas e de outras empresas orientadas para o mercado, as empresas chinesas não precisam lucrar — elas apenas recebem outra injeção de crédito bancário estatal quando os fundos estão acabando. Além disso, elas fazem pouco para controlar a poluição ou proteger os direitos de seus trabalhadores, o que também mantém os custos baixos. Como consequência, a China agora responde por mais da metade da produção global de aço, tirando do mercado empresas americanas — assim como fábricas na Índia, no México, na Indonésia, na Europa e em outros lugares.

Vimos esse mesmo modelo quando se trata de painéis solares, baterias de carros elétricos — setores-chave da economia do século 21 que não podemos permitir que se tornem completamente dependentes da China.

Manipulações econômicas como essas têm custado aos trabalhadores americanos milhões de empregos. E têm prejudicado trabalhadores e empresas de países ao redor do mundo. Recusaremos políticas e práticas que distorcem o mercado, como subsídios e barreiras de acesso ao mercado, que o governo chinês tem usado há anos para obter vantagem competitiva. Aumentaremos a segurança e a resiliência da cadeia de suprimentos reorientando a produção ou adquirindo materiais de outros países em setores sensíveis, como produtos farmacêuticos e minerais cruciais, para que não dependamos de nenhum fornecedor. Estaremos juntos com outros contra a coerção econômica e a intimidação. E trabalharemos para garantir que as empresas dos EUA não se envolvam em comércio que facilite violações dos direitos humanos ou se beneficie disso, incluindo trabalho forçado.

Em suma, lutaremos pelos trabalhadores e pela indústria dos EUA com todas as ferramentas que temos — assim como sabemos que nossos parceiros lutarão por seus trabalhadores.

Os Estados Unidos não querem separar a economia chinesa da nossa ou da economia global — embora Pequim, apesar de sua retórica, esteja perseguindo uma dissociação assimétrica, buscando tornar a China menos dependente do mundo e o mundo mais dependente da China. De nossa parte, queremos comércio e investimento desde que sejam justos e não comprometam nossa segurança nacional. A China tem recursos econômicos formidáveis, incluindo uma força de trabalho altamente capacitada. Estamos confiantes de que nossos trabalhadores e nossas empresas competirão com sucesso — e saudamos essa competição — em condições equitativas.

Assim, à medida que reprimimos com responsabilidade tecnologias e práticas econômicas injustas, trabalharemos para manter os laços econômicos e interpessoais conectando os Estados Unidos e a China, em conformidade com nossos interesses e nossos valores. Pequim pode não estar disposta a mudar seu comportamento. Mas se forem tomadas medidas concretas a fim de abordar as preocupações que nós e muitos outros países manifestamos, responderemos positivamente.

A competição não precisa levar ao conflito. Nós não o buscamos. Vamos trabalhar para evitá-lo. Mas defenderemos nossos interesses contra qualquer ameaça.

Para esse fim, o presidente Biden instruiu o Departamento de Defesa a manter a China como seu fator que definirá o ritmo das atividades dos EUA, com o intuito de garantir que nossas forças militares permaneçam à frente. Buscaremos preservar a paz por meio de uma nova abordagem que chamamos de “dissuasão integrada” — trazendo aliados e parceiros; trabalhando nos domínios convencional, nuclear, espacial e informacional; baseando-se em nossas forças de reforço em economia, tecnologia e diplomacia.

O governo está mudando nossos investimentos militares de plataformas que foram projetadas para os conflitos do século 20 visando sistemas assimétricos de maior alcance, mais difíceis de encontrar, mais fáceis de mobilizar. Estamos desenvolvendo novos conceitos a fim de orientar como conduzimos as operações militares. E estamos diversificando nossa postura de força e presença global, fortalecendo nossas redes, infraestrutura civil crucial e capacidades baseadas no espaço. Também ajudaremos nossos aliados e parceiros na região com suas próprias capacidades assimétricas.

Continuaremos a nos opor às atividades agressivas e ilegais de Pequim nos Mares do Sul e do Leste da China. Há quase seis anos, um tribunal internacional concluiu que as reivindicações de Pequim no Mar do Sul da China não têm base no Direito Internacional. Apoiaremos os Estados costeiros da região na defesa de seus direitos marítimos. Trabalharemos com aliados e parceiros com o objetivo de defender a liberdade de navegação e o sobrevoo, o que tem permitido a prosperidade da região há décadas. E continuaremos a voar e navegar onde o Direito Internacional permitir.

Em Taiwan, nossa abordagem tem sido consistente ao longo de décadas e governos. Como o presidente disse, nossa política não mudou. Os Estados Unidos continuam comprometidos com nossa política de “uma China”, que é guiada pela Lei de Relações de Taiwan (TRA), os três Comunicados Conjuntos, as Seis Garantias. Somos contra quaisquer mudanças unilaterais ao status quo de ambos os lados; não apoiamos a independência de Taiwan; e esperamos que as diferenças através do Estreito sejam resolvidas por meios pacíficos.

Continuamos a ter um interesse constante na paz e na estabilidade em todo o Estreito de Taiwan. Continuaremos a cumprir nossos compromissos nos termos da Lei de Relações de Taiwan a fim de ajudar Taiwan a manter uma capacidade de autodefesa suficiente — e, conforme indicado na TRA, para “manter nossa capacidade de resistir a qualquer recurso à força ou outras formas de coerção que colocariam em risco a segurança ou o sistema social ou econômico de Taiwan”. Desfrutamos de uma forte relação não oficial com Taiwan, uma democracia dinâmica e uma economia líder na região. Continuaremos a expandir nossa cooperação com Taiwan em nossos muitos interesses e valores compartilhados, apoiar a participação significativa de Taiwan na comunidade internacional, aprofundar nossos laços econômicos, de acordo com nossa política de “uma China”.

Embora nossa política não tenha mudado, o que mudou foi a crescente coerção de Pequim — como tentar cortar as relações de Taiwan com países ao redor do mundo e impedir o país de participar de organizações internacionais. E Pequim se engajou em retórica e atividades cada vez mais provocativas, como pilotar aeronaves do PLA perto de Taiwan quase diariamente. Essas palavras e ações são profundamente desestabilizadoras; elas arriscam um erro de cálculo e ameaçam a paz e a estabilidade do Estreito de Taiwan. Como vimos nas discussões do presidente com aliados e parceiros no Indo-Pacífico, manter a paz e a estabilidade através do estreito não é apenas um interesse dos EUA; é uma questão de interesse internacional, crucial para a segurança e a prosperidade regionais e globais.

Como o presidente Biden gosta de dizer, o único conflito pior do que o pretendido é o não intencional. Gerenciaremos essa relação com responsabilidade visando evitar que isso aconteça. Priorizamos comunicações em situações de crise e medidas de redução de risco com Pequim. E nesta questão — e em todas as outras — continuamos comprometidos com uma diplomacia intensa ao lado de uma competição intensa.

Mesmo quando investimos, alinhamos e competimos, trabalharemos em conjunto com Pequim, onde nossos interesses se unem. Não podemos deixar que as divergências que nos dividem nos impeçam de avançar nas prioridades que exigem que trabalhemos juntos, para o bem de nosso povo e para o bem do mundo.

Isso começa com o clima. A China e os Estados Unidos tiveram anos de impasse climático, que criaram um impasse no mundo — mas também períodos de progresso, que galvanizaram o mundo. O canal de diplomacia climática lançado em 2013 entre a China e os Estados Unidos desencadeou o impulso global que produziu o Acordo de Paris. No ano passado, na COP26, as esperanças do mundo foram impulsionadas quando os Estados Unidos e a China emitiram nossa Declaração Conjunta de Glasgow a fim de trabalhar juntos visando lidar com as emissões de metano para carvão.

O clima não tem a ver com ideologia. Tem a ver com matemática. Simplesmente não há como resolver as mudanças climáticas sem a liderança da China, o país que produz 28% das emissões globais. A Agência Internacional de Energia deixou claro que se a China mantiver seu plano atual e não atingir o pico de suas emissões até 2030, então o resto do mundo deve chegar a zero até 2035. E isso simplesmente não é possível.

Hoje, cerca de 20 nações são responsáveis por 80% das emissões. A China é a número um. Os Estados Unidos são a número dois. A menos que todos façamos muito mais, muito mais rápido, o custo financeiro e humano será catastrófico. Além disso, competir em energia limpa e política climática pode produzir resultados que beneficiam a todos.

O progresso que os Estados Unidos e a China fazem juntos — inclusive por meio do grupo de trabalho estabelecido pela Declaração de Glasgow — é vital para nosso sucesso em evitar as piores consequências desta crise. Exorto a China a se juntar a nós para acelerar o ritmo desses esforços compartilhados.

Da mesma forma, na pandemia da Covid-19, nossos destinos estão ligados. E nossos corações estão com o povo chinês enquanto eles lidam com esta última onda. Passamos por nossa própria provação profundamente dolorosa com a Covid. É por isso que estamos tão convencidos de que todos os países precisam trabalhar juntos para vacinar o mundo — não em troca de favores ou concessões políticas, mas pela simples razão de que nenhum país estará seguro até que todos estejam seguros. E todas as nações devem compartilhar dados e amostras de forma transparente — e fornecer acesso a especialistas — para novas variantes e patógenos emergentes e reemergentes, a fim de evitar a próxima pandemia, mesmo enquanto combatemos a atual.

No caso de não proliferação e controle de armas, é do nosso interesse manter as regras, as normas, os tratados que têm reduzido a disseminação de armas de destruição em massa. A China e os Estados Unidos devem continuar trabalhando juntos e com outros países com o intuito de abordar os programas nucleares do Irã e da Coreia do Norte. E continuamos prontos para discutir diretamente com Pequim nossas respectivas responsabilidades como potências nucleares.

Com o objetivo de combater narcóticos ilegais e ilícitos, especialmente opioides sintéticos como o fentanil, que mataram mais de 100 mil americanos no ano passado, queremos trabalhar com a China para impedir que organizações internacionais de tráfico de drogas obtenham precursores químicos, muitos dos quais originários da China.

À medida que uma crise alimentar global ameaça as pessoas em todo o mundo, esperamos que a China — um país que conquistou grandes feitos na agricultura — ajude com uma resposta global. Na semana passada, nas Nações Unidas, os Estados Unidos convocaram uma reunião de ministros das Relações Exteriores visando fortalecer a segurança alimentar global. Estendemos um convite à China para participar. Continuaremos a fazê-lo.

E à medida que a economia mundial se recupera da devastação da pandemia, a coordenação macroeconômica global entre os Estados Unidos e a China é fundamental — por meio do G20, do FMI, de outros espaços e, claro, bilateralmente. Isso acaba sendo a consequência natural por serem as duas maiores economias do mundo.

Em suma, vamos nos envolver construtivamente com a China sempre que pudermos, não como um favor a nós ou a qualquer outra pessoa, e nunca em troca de nos afastarmos de nossos princípios, mas porque trabalhar juntos para resolver grandes desafios é o que o mundo espera de grandes potências, e porque é diretamente do nosso interesse. Nenhum país deve impedir o progresso em questões transnacionais existenciais por causa de diferenças bilaterais.

A escala e o alcance do desafio imposto pela República Popular da China testarão a diplomacia americana como nunca vimos antes. Estou determinado a dar ao Departamento de Estado e a nossos diplomatas as ferramentas de que eles precisam para enfrentar esse desafio de frente como parte de minha agenda de modernização. Isso inclui a construção de uma Casa da China — uma equipe integrada em todo o Departamento que coordenará e implementará nossa política em todas as questões e regiões, trabalhando com o Congresso conforme necessário. E aqui, devo mencionar uma equipe excepcional em nossa Embaixada em Pequim e nossos Consulados em toda a China, liderada pelo embaixador Nick Burns. Eles fazem um trabalho excepcional todos os dias, e muitos têm feito seu trabalho nas últimas semanas por meio desses intensos lockdowns por causa da Covid. Apesar das condições extremas, eles têm persistido. Somos gratos por essa equipe fantástica.

Nunca estive mais convencido do poder e do propósito da diplomacia americana ou seguro de nossa capacidade de enfrentar os desafios desta década decisiva. Ao povo americano: vamos nos comprometer novamente a investir em nossos pontos fortes, em nosso povo, em nossa democracia, em nosso espírito inovador. Como o presidente Biden costuma dizer, nunca é uma boa aposta apostar contra os Estados Unidos. Mas vamos apostar em nós mesmos e vencer a competição para o futuro.

Para os países de todo o mundo comprometidos com a construção de um futuro aberto, seguro e próspero, vamos trabalhar em uma causa comum visando defender os princípios que tornam possível nosso progresso compartilhado e defender o direito de cada nação de escrever seu próprio futuro. E para o povo da China: vamos competir com confiança; cooperaremos onde pudermos; contestaremos onde devemos. Não vemos conflito.

Não há razão para que nossas grandes nações não possam coexistir pacificamente, compartilhar e contribuir visando o progresso humano juntas. É nisso que tudo o que eu disse hoje se resume: promover o progresso humano, deixar para nossos filhos um mundo mais pacífico, mais próspero e mais livre.

Muito obrigado por me ouvirem. [Aplausos.]


Veja o conteúdo original: https://www.state.gov/the-administrations-approach-to-the-peoples-republic-of-china/

Esta tradução é fornecida como cortesia e apenas o texto original em inglês deve ser considerado oficial.

 

U.S. Department of State

The Lessons of 1989: Freedom and Our Future