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Casa Branca
Washington, DC
20 de janeiro de 2021

11h52 — horário da Costa Leste dos EUA

Presidente da Suprema Corte Roberts, vice-presidente Harris, presidente Pelosi, líder Schumer, líder McConnell, vice-presidente Pence, meus ilustres convidados, meus concidadãos americanos, este é o dia dos Estados Unidos. Este é o dia da democracia, um dia de história e esperança, de renovação e determinação. Através de uma provação que ficará para a posteridade, os Estados Unidos foram testados novamente. E os Estados Unidos estão à altura do desafio. Hoje celebramos o triunfo, não de um candidato, mas de uma causa, a causa da democracia. O povo, a vontade do povo, foram ouvidos e a vontade do povo foi atendida.

Aprendemos novamente que a democracia é preciosa. A democracia é frágil. E, nesta hora, meus amigos, a democracia prevaleceu. [Aplausos.]

Portanto, agora, neste solo sagrado, onde há poucos dias a violência tentou abalar os próprios alicerces do Capitólio, nos reunimos como uma nação sob a égide de Deus, indivisível, a fim de realizar a transferência pacífica de poder como temos feito há mais de dois séculos. Ao olharmos para o futuro do nosso jeito exclusivamente americano, inquietos, ousados, otimistas e voltarmos nossos olhos para a nação que sabemos que podemos e devemos ser.

Agradeço a meus antecessores de ambos os partidos por sua presença aqui hoje. Agradeço do fundo do meu coração. [Aplausos.] E eu sei — [Aplausos.] E conheço a resiliência de nossa Constituição e a força, a força de nossa nação, assim como o presidente Carter com quem falei ontem à noite, que não pode estar conosco hoje, mas a quem saudamos por sua vida inteira de serviço.

Acabei de fazer um juramento sagrado que cada um desses patriotas fez. O juramento feito pela primeira vez por George Washington. Mas a história americana não depende de nenhum de nós, não de alguns de nós, mas de todos nós, de nós o povo, que buscamos uma união mais perfeita. Esta é uma grande nação. Somos boas pessoas. E ao longo dos séculos, por meio de tempestades e conflitos, na paz e na guerra, chegamos tão longe, mas ainda temos muito a percorrer.

Seguiremos em frente com velocidade e urgência, pois temos muito a fazer neste inverno de perigos e possibilidades significativas. Muito a reparar, muito a restaurar, muito a curar, muito a construir e muito a ganhar. Poucas pessoas na história de nossa nação foram mais desafiadas ou se encontraram em uma época mais desafiadora ou difícil do que a que estamos agora.

Uma vez por século, um vírus que silenciosamente espreita o país. Tem tirado tantas vidas em um ano quanto os Estados Unidos perderam em toda a Segunda Guerra Mundial. Milhões de empregos foram perdidos, centenas de milhares de empresas fechadas, um clamor por justiça racial há cerca de 400 anos nos comove. O sonho de justiça para todos não será mais adiado. [Aplausos.]

Um grito de sobrevivência vem do próprio planeta. Um grito que não pode ser mais desesperado ou mais claro, e agora um aumento do extremismo político, da supremacia branca, do terrorismo doméstico que devemos enfrentar e vamos derrotar. [Aplausos.]

Superar esses desafios, restaurar a alma e garantir o futuro dos Estados Unidos exige muito mais do que palavras. Requer a mais elusiva de todas as coisas em uma democracia, a unidade. Unidade. Em outro janeiro, no dia de Ano Novo de 1863, Abraham Lincoln assinou a Proclamação da Emancipação. Quando ele colocou a caneta no papel, o presidente disse, e cito: “Se algum dia meu nome entrar para a história, será por este ato, e toda a minha alma estará nele.”

“Minha alma inteira está nisto.” Hoje, neste dia de janeiro, toda minha alma está nisto: unir os Estados Unidos, unir nosso povo, unir nossa nação. E peço a todos os americanos que se juntem a mim nessa causa. [Aplausos.]

Unindo para lutar contra os inimigos que enfrentamos, a raiva, o ressentimento e o ódio, o extremismo, a ilegalidade, a violência, a doença, o desemprego e a desesperança. Com unidade, podemos fazer grandes coisas, coisas importantes.

Podemos corrigir os erros. Podemos colocar pessoas para trabalhar em bons empregos. Podemos ensinar nossos filhos em escolas seguras. Podemos superar esse vírus mortal. Podemos recompensar — recompensar o trabalho, reconstruir a classe média e tornar o sistema de saúde seguro para todos. Podemos oferecer justiça racial e fazer dos Estados Unidos mais uma vez a principal força do bem no mundo.

Sei que falar de unidade pode soar para alguns como uma fantasia tola hoje em dia. Sei que as forças que nos dividem são profundas e reais. Mas também sei que não são novas. Nossa história tem sido uma luta constante entre o ideal americano de que todos somos criados iguais e a dura realidade de que o racismo, o nativismo, o medo e a demonização há muito nos separaram.

A batalha é perene e a vitória nunca é garantida. Durante a Guerra Civil, a Grande Depressão, a Guerra Mundial, o 11 de Setembro, por meio de lutas, sacrifícios e reveses, nossos melhores anjos sempre prevaleceram. Em cada um desses momentos, muitos de nós — muitos de nós — nos reunimos para levar todos nós adiante, e podemos fazer isso agora.

A história, a fé e a razão mostram o caminho, o caminho da unidade. Podemos nos ver, não como adversários, mas como vizinhos. Podemos tratar uns aos outros com dignidade e respeito. Podemos unir forças, parar a gritaria e baixar a temperatura. Pois sem unidade não há paz, apenas amargura e fúria. Não há nenhum progresso, apenas uma indignação exaustiva. Não há nenhuma nação, apenas um estado de caos.

Este é nosso momento histórico de crise e desafio, e a unidade é o caminho a seguir. E devemos enfrentar este momento como Estados Unidos da América. Se fizermos isso, garanto a vocês, não iremos falhar. Nunca, jamais, jamais falhamos nos Estados Unidos quando agimos juntos.

E então hoje, neste momento, neste lugar, vamos começar do zero, todos nós. Vamos começar a ouvir uns aos outros novamente. Ouvir uns aos outros. Ver uns aos outros. Mostrar respeito uns pelos outros. A política não precisa ser um incêndio violento, destruindo tudo em seu caminho. Cada desacordo não precisa ser causa de guerra total. E devemos rejeitar a cultura em que os próprios fatos são manipulados e até fabricados. [Aplausos.]

Meus concidadãos americanos, temos de ser diferentes disso. Os Estados Unidos têm de ser melhores do que isso, e acredito que os Estados Unidos são muito melhores do que isso. Basta olhar em volta. Aqui estamos nós, à sombra da cúpula do Capitólio, como foi mencionado antes, concluída em meio à Guerra Civil, quando a própria União estava literalmente por um fio. Ainda assim, nós resistimos. Nós vencemos.

Aqui estamos nós, olhando para a grande Esplanada onde o Dr. King falou de seu sonho. Aqui estamos onde, 108 anos atrás em outra posse, milhares de manifestantes tentaram bloquear mulheres corajosas que marchavam pelo direito de voto. E hoje, marcamos o juramento da primeira mulher na história americana eleita para um cargo nacional, a vice-presidente Kamala Harris.

Não me digam que as coisas não podem mudar! [Aplausos.]

Aqui estamos nós, do outro lado do [Rio] Potomac, do Cemitério de Arlington, onde os heróis que deram a última prova completa de devoção descansam em paz eterna. E aqui estamos nós, poucos dias depois que uma turba desordeira pensou que poderia usar a violência para silenciar a vontade do povo, para parar o trabalho de nossa democracia, para nos tirar deste solo sagrado. Isso não aconteceu. Isso nunca vai acontecer. Hoje não. Amanhã não. Nunca. Nunca. [Vivas e aplausos.]

Para todos aqueles que apoiaram nossa campanha, estou sensibilizado pela fé que vocês depositaram em nós. Para todos aqueles que não nos apoiaram, permitam-me dizer isto. Ouçam-me à medida em que avançamos. Meçam a mim e a meu coração.

Se vocês ainda discordam, que seja. Isso é democracia. Estes são os Estados Unidos. O direito de discordar pacificamente. Dentro das grades de proteção de nossa República, essa talvez seja a maior força desta nação. No entanto, ouçam-me claramente, a divergência não deve levar à desunião. E prometo isto a vocês: “Serei um presidente para todos os americanos, todos os americanos.” [Aplausos.] E prometo a vocês: “Vou lutar tanto por aqueles que não me apoiaram quanto por aqueles que apoiaram.” [Aplausos.]

Muitos séculos atrás, Santo Agostinho, um santo em minha igreja, escreveu que um povo era uma multidão definida pelos objetos comuns de seu amor. Definido pelos objetos comuns de seu amor. Quais são os objetos comuns que nós, como americanos, amamos e que nos definem como americanos?

Acredito que sabemos. Oportunidade, segurança, liberdade, dignidade, respeito, honra e, sim, verdade. [Aplausos.] As últimas semanas e meses nos ensinaram uma lição dolorosa. Há verdades e mentiras, mentiras contadas para obter poder e lucro.

E cada um de nós tem um dever e uma responsabilidade como cidadãos, como americanos e, especialmente, como líderes, líderes que se comprometeram a honrar nossa Constituição e proteger nossa nação, defender a verdade e derrotar as mentiras. [Aplausos.]

Vejam — [Aplausos.] — entendo que muitos dos meus concidadãos americanos veem o futuro com medo e apreensão. Entendo que eles se preocupam com seus empregos. Eu entendo como [aconteceu com] meu pai, eles ficam deitados na cama à noite olhando para o teto e se perguntam: vou conseguir manter meu plano de saúde, pagar minha hipoteca? Pensando em suas famílias, no que virá a seguir. Garanto a vocês, eu entendo.

Mas a resposta não é se voltar para dentro, retrair-se em facções rivais, desconfiando daqueles que não se parecem com vocês e nem cultuam uma religião da maneira que vocês fazem, ou não obtêm notícias da mesma fonte que vocês. Devemos acabar com essa guerra incivil que opõe o vermelho ao azul, o rural versus — o rural versus o urbano, o conservador versus o liberal. Podemos fazer isso se abrirmos nossa alma em vez de endurecer nosso coração.

Se mostrarmos um pouco de tolerância e humildade, e se estivermos dispostos a nos colocar no lugar da outra pessoa — como diria minha mãe — apenas por um momento, coloquem-se no lugar deles. Porque entendam uma coisa sobre a vida: não há como explicar o que o destino reserva para vocês.

Alguns dias vocês precisam de uma mão. Há outros dias em que somos chamados para dar uma mão. É assim que tem de ser. Isso é o que fazemos uns pelos outros.

E se continuarmos assim, nosso país ficará mais forte, mais próspero, mais preparado para o futuro. E ainda podemos discordar. Meus compatriotas americanos, no trabalho que temos pela frente, vamos precisar uns dos outros. Precisamos de todas as nossas forças para preservar — para perseverar neste inverno sombrio. Estamos entrando no que pode ser o período mais difícil e mortal do vírus.

Devemos deixar de lado a política e finalmente enfrentar esta pandemia como uma nação, uma nação. E eu lhes prometo isto. Como diz a Bíblia: “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.” Nós vamos superar isso juntos. Juntos. Olha, gente, todos os meus colegas com quem trabalhei na Câmara e no Senado aqui em cima, todos nós entendemos, o mundo está assistindo, observando todos nós hoje. Portanto, aqui está minha mensagem para aqueles que estão além de nossas fronteiras.

Os Estados Unidos foram testados e nos saímos mais fortes por isso. Vamos restaurar nossas alianças e nos envolver com o mundo mais uma vez. Não para enfrentar os desafios de ontem, mas os desafios de hoje e de amanhã. [Aplausos.]

E vamos liderar não apenas pelo exemplo de nosso poder, mas pelo poder de nosso exemplo. [Aplausos.] Seremos um parceiro forte e confiável para a paz, o progresso e a segurança.

Olha, todos vocês entendem, nós passamos por tanta coisa nesta nação. Em meu primeiro ato como presidente, gostaria de pedir a vocês que se juntem a mim em um momento de oração silenciosa a fim de lembrar de todos aqueles que perdemos no ano passado em razão da pandemia, aqueles 400 mil americanos — mães, pais, maridos, esposas, filhos, filhas, amigos, vizinhos e colegas de trabalho. Vamos honrá-los tornando-nos o povo e a nação que sabemos que podemos e devemos ser.

Portanto, peço a vocês, vamos fazer uma oração silenciosa por aqueles que perderam a vida e aqueles que ficaram para trás, e por nosso país.

[MOMENTO DE SILÊNCIO]

Amém. Gente, este é um período de provação. Enfrentamos um ataque à nossa democracia e à verdade. Um vírus violento, crescente desigualdade, a picada do racismo sistêmico, um clima de crise. O papel dos Estados Unidos no mundo. Qualquer um desses seria o suficiente para nos desafiar profundamente. Mas o fato é que enfrentamos todos de uma vez, apresentando a esta nação uma das responsabilidades mais graves que já tivemos. Agora vamos ser testados.

Vamos dar um passo à frente, todos nós? O momento é de ousadia, pois há muito o que fazer. E isso é certo. Eu prometo a vocês, seremos julgados, vocês e eu, pela forma como resolveremos essas crises sucessivas de nossa era. [Será] Será que estaremos à altura do desafio, é a questão. Vamos superar este momento raro e difícil?

Será que vamos cumprir nossas obrigações e passar adiante um mundo novo e melhor para nossos filhos? Eu acredito que devemos. E tenho certeza que vocês também. Eu acredito que sim. E quando o fizermos, escreveremos o próximo grande capítulo da história dos Estados Unidos da América, da história americana, uma história que pode soar como uma canção que tem muito significado para mim. É chamada “American Anthem” [Hino Americano]. E tem um verso que se destaca, pelo menos para mim.

E é assim: “O trabalho e as orações de séculos nos trouxeram até este dia. Qual será nosso legado? O que nossos filhos vão dizer? Deixe-me saber em meu coração quando meus dias terminarem. Estados Unidos, Estados Unidos, eu dei meu melhor para você.” Vamos incluir. Vamos incluir nosso próprio trabalho e orações ao desenrolar da história de nossa grande nação.

Se fizermos isso, quando nossos dias acabarem, nossos filhos e os filhos de nossos filhos dirão de nós: “Eles deram o seu melhor, cumpriram seu dever, curaram uma terra devastada.” Meus concidadãos, encerro o dia como comecei, com um juramento sagrado perante Deus e todos vocês. Dou minha palavra, sempre serei sincero com vocês. Vou defender a Constituição. Vou defender nossa democracia. Vou defender os Estados Unidos da América.

E darei a todos, todos vocês, tudo o que puder — eu faço a seu serviço, pensando não no poder, mas nas possibilidades, não no interesse pessoal, mas no bem público. E juntos escreveremos uma história americana de esperança, não de medo. De unidade, não de divisão. De luz, não de escuridão. Uma história de decência e dignidade, amor e cura, grandeza e bondade.

Que esta seja a história que nos guia, a história que nos inspira, e a história que conta eras ainda por vir em que respondemos ao chamado da história, que estivemos à altura do momento. A democracia e a esperança, a verdade e a justiça não morreram sob nossa supervisão, mas prosperaram, porque os Estados Unidos garantiram a liberdade internamente e se posicionaram mais uma vez como um farol para o mundo. Isso é o que devemos a nossos antepassados, uns aos outros e às próximas gerações.

Portanto, com propósito e determinação, nos voltamos para as tarefas de nosso tempo, sustentados pela fé, movidos pela convicção e devotados uns aos outros e ao país que amamos de todo o coração. Que Deus abençoe os Estados Unidos e que Deus proteja nossas tropas. Obrigado, Estados Unidos.

FIM

12h13 — horário da Costa Leste dos EUA


Para o conteúdo original: https://www.whitehouse.gov/briefing-room/speeches-remarks/2021/01/20/inaugural-address-by-president-joseph-r-biden-jr/ 

Esta tradução é fornecida como cortesia e apenas o texto original em inglês deve ser considerado oficial.

U.S. Department of State

The Lessons of 1989: Freedom and Our Future