A Casa Branca
Presidente dos Estados Unidos, Joseph R. Biden Jr.
16 de agosto de 2021
Pronunciamento

Salão Leste
4:02 P.M. EDT

O PRESIDENTE: Boa tarde. Quero falar hoje sobre o desdobramento da situação no Afeganistão: os desenvolvimentos que ocorreram na última semana e as medidas que estamos tomando para lidar com estes eventos que estão em rápida evolução.

Minha equipe de segurança nacional e eu estamos monitorando de perto a situação no Afeganistão e agido rapidamente para executar os planos que estabelecemos para responder a todos os constituintes, incluindo – e contingências –, incluindo esse colapso rápido que estamos vendo agora.

Falarei mais tarde sobre as etapas específicas que estamos planejando, mas quero lembrar a todos como chegamos até aqui e quais são os interesses da América no Afeganistão.

Fomos ao Afeganistão há quase 20 anos com objetivos claros: pegar aqueles que nos atacaram em 11 de setembro de 2001 e garantir que a Al Qaeda não pudesse usar o Afeganistão como base para nos atacar novamente.

Nós conseguimos isso. Nós deterioramos gravemente a Al Qaeda no Afeganistão. Nunca desistimos da caça a Osama bin Laden e o pegamos. Isso foi há uma década.

Nossa missão no Afeganistão nunca deveria ter sido a construção de uma nação. Nunca deveria ter sido criar uma democracia unificada e centralizada.

Nosso único interesse nacional vital no Afeganistão permanece hoje o que sempre foi: prevenir um ataque terrorista à pátria americana.

Por muitos anos, argumentei que nossa missão deveria se concentrar estritamente no contraterrorismo – não na contra-insurgência ou na construção de uma nação. É por isso que me opus ao aumento [de tropas] quando ele foi proposto em 2009, quando eu era o vice-presidente.

E é por isso que, como presidente, estou convicto de que devemos nos concentrar nas ameaças que enfrentamos hoje, em 2021, – e não nas ameaças de ontem.

Hoje, a ameaça terrorista se espalhou muito além do Afeganistão: al Shabaab na Somália, Al Qaeda na Península Arábica, al-Nusra na Síria, o Estado Islâmico tentando criar um califado na Síria e no Iraque e estabelecendo afiliados em vários países na África e na Ásia. Essas ameaças garantem nossa atenção e nossos recursos.

Conduzimos missões de contraterrorismo eficazes contra grupos terroristas em vários países onde não temos uma presença militar permanente.

Se necessário, faremos o mesmo no Afeganistão. Desenvolvemos grande capacidade de contraterrorismo que nos permitirá manter nossos olhos firmemente fixos em qualquer ameaça direta aos Estados Unidos na região e agir de forma rápida e decisiva, se preciso.

Quando assumi o cargo, herdei um acordo que o presidente Trump negociou com o Talibã. Segundo o acordo dele, as forças dos EUA estariam fora do Afeganistão em 1º de maio de 2021 – pouco mais de três meses após eu assumir o cargo.

As forças dos EUA já haviam sofrido uma redução durante o governo Trump de cerca de 15.500 militares americanos naquele país para 2.500, e a força militar do Talibã estava no seu auge desde 2001.

A escolha que tive de fazer, como seu Presidente, foi seguir esse acordo ou estar preparado para voltar a lutar contra o Talibã no meio da temporada de combates da primavera.

Não teria havido cessar-fogo depois de 1º de maio. Não havia acordo protegendo nossas forças depois de 1º de maio. Não havia status quo de estabilidade sem baixas americanas depois de 1º de maio.

Havia apenas a realidade fria de seguir o acordo para retirar nossas forças ou aumentar o conflito e enviar milhares de soldados americanos de volta ao combate no Afeganistão, avançando para a terceira década de conflitos.

Eu assumo totalmente minha decisão. Depois de 20 anos, aprendi da maneira mais difícil que não era um bom momento para retirar as forças dos EUA.

É por isso que ainda estávamos lá. Estávamos cientes dos riscos. Nós tínhamos planos para cada contingência.

Mas sempre prometi ao povo americano que serei franco. A verdade é: isso se desenrolou mais rapidamente do que havíamos previsto.

Então o que aconteceu? Os líderes políticos do Afeganistão desistiram e fugiram do país. Os militares afegãos entraram em colapso, às vezes sem nem tentar lutar.

No mínimo, os acontecimentos da semana passada reforçaram que encerrar o envolvimento militar dos EUA no Afeganistão agora era a decisão certa.

As tropas americanas não podem e não devem lutar em uma guerra, e morrer em uma guerra, que as forças afegãs não estão dispostas a lutar por si mesmas. Gastamos mais de US$ 1 trilhão. Treinamos e equipamos uma força militar afegã de cerca de 300.000 homens – incrivelmente bem equipada – uma força maior em tamanho do que os militares de muitos de nossos aliados da OTAN.

Fornecemos todas as ferramentas de que precisavam. Pagamos seus salários, garantimos a manutenção de sua força aérea – algo que o Talibã não tem. O Talibã não tem força aérea. Fornecemos apoio aéreo cuidadoso.

Demos a eles todas as chances de determinar seu próprio futuro. O que não podíamos oferecer a eles era a vontade de lutar por aquele futuro.

Existem algumas unidades e soldados das forças especiais afegãs muito corajosos e capazes, mas se o Afeganistão não for capaz de montar qualquer resistência real ao Talibã agora, não faria diferença 1 ano – mais 1 ano, mais 5 anos ou mais 20 anos de botas militares americanas no solo afegão.

E acredito profundamente no seguinte: é errado ordenar que as tropas americanas avancem quando as próprias forças armadas do Afeganistão não o fariam. Se os líderes políticos do Afeganistão não podem se unir para o bem de seu povo, não conseguiram negociar o futuro do país deles quando as fichas caíram, eles nunca o fariam enquanto as tropas dos EUA permanecessem no Afeganistão lutando por eles.

E nossos verdadeiros concorrentes estratégicos – China e Rússia – adorariam que os Estados Unidos continuassem canalizando bilhões de dólares em recursos e atenção para estabilizar o Afeganistão indefinidamente.

Quando recebi o presidente Ghani e o presidente do conselho Abdullah na Casa Branca em junho e novamente quando falei por telefone com Ghani em julho, tivemos conversas muito francas. Conversamos sobre como o Afeganistão deveria se preparar para lutar em suas guerras civis após a partida dos militares dos EUA, como deveria acabar com a corrupção no governo para que o governo pudesse funcionar para o povo afegão. Falamos muito sobre a necessidade de os líderes afegãos se unirem politicamente.

Eles falharam ao não fazer nada disso.

Também os incentivei a se engajarem na diplomacia, a buscar um acordo político com o Talibã. Este conselho foi recusado categoricamente. Ghani insistiu que as forças afegãs lutariam, mas obviamente ele estava errado.

Portanto, pergunto novamente àqueles que defendem que devemos ficar: quantas gerações mais de filhas e filhos da América vocês gostariam que eu enviasse para lutar contra os afegãos – na guerra civil do Afeganistão quando as tropas afegãs não o fazem? Quantas vidas mais – vidas americanas – vale a pena perder? Quantas filas intermináveis de lápides no Cemitério Nacional de Arlington?

Minha resposta é clara: não repetirei os erros que cometemos no passado – o erro de permanecer e lutar indefinidamente em um conflito que não é do interesse nacional dos Estados Unidos, de apostar em um guerra civil de um país estrangeiro e tentar refazer um país através de desdobramentos militares intermináveis das forças dos EUA.

Esses são os erros que não podemos continuar repetindo, porque temos interesses importantes e vitais no mundo que não podemos ignorar.

Também quero reconhecer como isso é doloroso para muitos de nós. As cenas que estamos vendo no Afeganistão são angustiantes, especialmente para nossos veteranos, nossos diplomatas, trabalhadores humanitários, para qualquer um que passou um tempo na região trabalhando para apoiar o povo afegão.

É doloroso para aqueles que perderam entes queridos no Afeganistão e para os americanos que lutaram e serviram no país – serviram pelo nosso país no Afeganistão – isso é profundamente pessoal.

É doloroso para mim também. Tenho trabalhado nessas questões há tanto tempo quanto qualquer outro. Estive em todo o Afeganistão durante esta guerra – enquanto a guerra estava acontecendo – de Cabul a Kandahar e ao Vale Kunar.

Viajei para lá em quatro ocasiões diferentes. Eu me encontrei com o povo. Eu falei com os líderes. Passei um tempo com nossas tropas. E passei a entender em primeira mão o que era e o que não era possível no Afeganistão.

Então, agora estamos fercus [sic] – focados no que é possível.

Continuaremos apoiando o povo afegão. Lideraremos com nossa diplomacia, nossa influência internacional e nossa ajuda humanitária.

Continuaremos pressionando por diplomacia regional e engajamento para prevenir a violência e a instabilidade.

Continuaremos nos manifestando pelos direitos básicos do povo afegão – de mulheres e meninas – assim como fazemos em todo o mundo.

Tenho sido claro que os direitos humanos devem ser o centro de nossa política externa, não as bordas. Mas a maneira de fazer isso não é através de desdobramentos militares intermináveis; é com nossa diplomacia, nossas ferramentas econômicas e reunindo o mundo para se juntar a nós.

Agora, deixe-me expor a missão atual no Afeganistão. Pediram que eu autorizasse – e eu o fiz – o envio de 6.000 soldados americanos ao Afeganistão com o propósito de ajudar na partida do pessoal civil dos EUA e dos Aliados e para evacuar nossos aliados afegãos e afegãos vulneráveis para um lugar seguro fora do Afeganistão .

Nossas tropas estão trabalhando para proteger o campo de aviação e garantir a operação contínua de voos civis e militares. Estamos assumindo o controle do tráfego aéreo.

Fechamos nossa embaixada com segurança e transferimos nossos diplomatas. A nossa pre… – a nossa presença diplomática está agora consolidada também no aeroporto.

Nos próximos dias, pretendemos transportar milhares de cidadãos americanos que viveram e trabalharam no Afeganistão.

Também continuaremos apoiando a partida segura de pessoal civil – o pessoal civil de nossos Aliados que ainda está servindo no Afeganistão.

A Operação Allies Refugee [Refúgio], que anunciei em julho, já trouxe 2.000 afegãos que são elegíveis para vistos especiais de imigração (SIV) e suas famílias para os Estados Unidos.

Nos próximos dias, os militares dos EUA fornecerão assistência para mover mais afegãos qualificados para o SIV e suas famílias para fora do Afeganistão.

Também estamos expandindo o acesso de refugiados para cobrir outros afegãos vulneráveis que trabalharam para nossa embaixada: para agências não governamentais dos EUA – ou para organizações não governamentais dos EUA; e afegãos que, de certa forma, correm grande risco; e agências de notícias dos EUA.

Eu sei que há preocupações sobre o motivo pelo qual não começamos a evacuar os afegãos – civis antes. Parte da resposta é que alguns dos afegãos não queriam partir mais cedo – ainda esperançosos por seu país. E parte disso foi porque o governo afegão e seus apoiadores nos desencorajaram de organizar um êxodo em massa para evitar o desencadeamento de, como eles disseram, “uma crise de confiança”.

As tropas americanas estão desempenhando essa missão de maneira tão profissional e eficaz como sempre fizeram, mas não é isenta de riscos.

Ao nos retirarmos, deixamos claro para o Talibã: se eles atacarem nosso pessoal ou interromperem nossa operação, a presença dos EUA será rápida e a resposta será rápida e enérgica. Defenderemos nosso povo com uma força devastadora, se necessário.

Nossa missão militar atual será curta, de escopo limitado e focada em seus objetivos: levar nosso pessoal e nossos aliados para um local seguro o mais rápido possível.

E assim que tivermos concluído esta missão, concluiremos nossa retirada militar. Acabaremos com a guerra mais longa da América após 20 longos anos de derramamento de sangue.

Os eventos que estamos vendo agora são uma prova triste de que nenhuma quantidade de força militar jamais entregaria um Afeganistão estável, unido e seguro – o país é conhecido na história como o “cemitério dos impérios”.

O que está acontecendo agora poderia facilmente ter acontecido 5 anos atrás ou 15 anos no futuro. Temos que ser honestos: nossa missão no Afeganistão deu muitos passos em falso – deu muitos passos em falso nas últimas duas décadas.

Agora sou o quarto presidente americano a presidir a Guerra no Afeganistão – dois democratas e dois republicanos. Não vou passar essa responsabilidade para um quinto presidente.

Não vou enganar o povo americano afirmando que um pouco mais de tempo no Afeganistão faria toda a diferença. Nem vou rejeitar minha cota de responsabilidade por estar onde estamos hoje e como devemos seguir em frente a partir daqui.

Eu sou o Presidente dos Estados Unidos da América, e assumo minhas responsabilidades.

Estou profundamente triste com os fatos que enfrentamos agora. Mas não me arrependo de minha decisão de encerrar a guerra dos Estados Unidos no Afeganistão e manter o foco em nossas missões de contraterrorismo lá e em outras partes do mundo.

Nossa missão de degradar a ameaça terrorista da Al Qaeda no Afeganistão e matar Osama bin Laden foi um sucesso.

Nosso esforço de décadas para superar séculos de história e mudar e refazer permanentemente o Afeganistão não foi, e eu escrevi e acreditei que nunca poderia ser.

Não posso e não vou pedir às nossas tropas que lutem indefinidamente em outra – na guerra civil de outro país, sofrendo ferimentos, sofrendo ferimentos devastadores, deixando famílias destruídas pela dor e pela perda.

Isso não é do nosso interesse de segurança nacional. Não é o que o povo americano deseja. Não é o que nossas tropas, que tanto se sacrificaram nas últimas duas décadas, merecem.

Quando me candidatei à presidência, assumi um compromisso com o povo americano de que encerraria o envolvimento militar dos Estados Unidos no Afeganistão. E embora tenha sido difícil e confuso – e sim, longe de ser perfeito – honrei esse compromisso.

Mais importante, assumi o compromisso com os homens e mulheres de coragem que servem a esta nação de que não iria pedir-lhes que continuassem arriscando suas vidas em uma ação militar que deveria ter terminado há muito tempo.

Nossos líderes fizeram isso no Vietnã quando cheguei aqui ainda jovem. Não vou fazer isso no Afeganistão.

Sei que minha decisão será criticada, mas prefiro receber todas essas críticas a repassar essa decisão a outro presidente dos Estados Unidos – mais um – um quinto.

Porque é a decisão certa – é a decisão certa para o nosso povo. A decisão certa para nossos corajosos militares que arriscaram suas vidas servindo nossa nação. E é o certo para a América.

Então, obrigado. Que Deus proteja nossas tropas, nossos diplomatas e todos os bravos americanos servindo em situações de perigo.

4:21 P.M. EDT


Veja o conteúdo original: https://www.whitehouse.gov/briefing-room/speeches-remarks/2021/08/16/remarks-by-president-biden-on-afghanistan/ 

Esta tradução é fornecida como cortesia e apenas o texto original em inglês deve ser considerado oficial.

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