Departamento de Estado dos Estados Unidos
Gabinete do Porta-Voz
31 de agosto de 2021
Pronunciamento para a Imprensa

Treaty Room
Washington, D.C.

SECRETÁRIO BLINKEN:  Boa noite a todos.

Há 18 dias, os Estados Unidos e nossos aliados começaram nossa operação de evacuação e realocação em Cabul. Como vocês acabaram de saber pelo Pentágono, há algumas horas, essa operação foi concluída.

Mais de 123.000 pessoas foram tiradas com segurança do Afeganistão. Isso inclui cerca de 6.000 cidadãos americanos. Este tem sido um enorme empreendimento militar, diplomático e humanitário – um dos mais difíceis na história de nossa nação – e um feito extraordinário de logística e coordenação sob circunstâncias extremamente desafiadoras.

Muitas, muitas pessoas tornaram isso possível.

Quero parabenizar nossos excelentes diplomatas que trabalharam ininterruptamente em todo o mundo para coordenar a operação. Eles se ofereceram para trabalhar no aeroporto de Cabul. Eles voaram para países de trânsito para ajudar no processo de entrada de milhares de afegãos que tinham os Estados Unidos como destino. Eles se deslocaram para portos de entrada e bases militares americanas para dar as boas-vindas aos afegãos que chegavam aos seus novos lares. Eles formaram uma força-tarefa que trabalhou 24 horas por dia, 7 dias por semana, aqui em Washington, supervisionada pelo vice-secretário Brian McKeon. E eles criaram uma lista de americanos que possivelmente queriam deixar o Afeganistão, depois trabalharam para contatar cada um deles, repetidamente – chegando a 55.000 ligações telefônicas e 33.000 e-mails desde 14 de agosto. Eles resolveram problema após  problema para manter a missão em andamento.

Eles fizeram isso porque – para os milhares de funcionários do Departamento de Estado e da USAID que serviram no Afeganistão nos últimos 20 anos – essa operação de evacuação foi algo muito pessoal. Muitos trabalharam lado a lado durante anos com parceiros afegãos, muitos dos quais se tornaram amigos de confiança. Também perdemos membros queridos de nossa comunidade do Serviço de Relações Exteriores no Afeganistão; nunca vamos esquecê-los. Ajudar os americanos, nossos parceiros estrangeiros que estão a nosso lado há 20 anos e os afegãos em situação de risco neste momento crítico foi mais do que apenas uma missão de alto risco para nossa equipe. Era um dever sagrado. E o mundo viu como nossos diplomatas enfrentaram o desafio com o coração e muita determinação.

Os militares americanos em Cabul fizeram um trabalho heróico no aeroporto, protegendo civis de muitas nacionalidades – incluindo dezenas de milhares de afegãos – e retirando-os por via aérea. Eles também estão fornecendo apoio vital agora, cuidando dos afegãos em bases militares na Europa, no Oriente Médio e aqui nos Estados Unidos.

Vimos fotos de militares americanos no aeroporto de Cabul embalando bebês e confortando famílias. Esse é o tipo de coragem e compaixão que nossos homens e mulheres de uniforme têm. Eles cumprem esta missão sob a constante ameaça de violência terrorista – e quatro dias atrás, 11 fuzileiros navais, um médico da Marinha e um soldado foram mortos por um homem-bomba no portão do aeroporto, assim como dezenas de afegãos.

Quase todos eles estavam na casa dos 20 anos – eram apenas bebês ou crianças pequenas em 11 de setembro de 2001.

Essas mortes são uma perda devastadora para nosso país. Nós, do Departamento de Estado, sentimos profundamente. Temos um vínculo especial com os fuzileiros navais. A primeira pessoa que você vê ao visitar uma embaixada americana é um fuzileiro naval. Eles protegem nossas missões diplomáticas; eles nos mantêm seguros em todo o mundo. Não poderíamos fazer nosso trabalho sem eles. E nunca esqueceremos como se sacrificaram – nem esqueceremos o que eles conseguiram alcançar. Os mais excepcionais entre nós fazem o trabalho de uma vida inteira em um curto espaço de tempo aqui na Terra. Então, foram nossos irmãos e irmãs excepcionais que morreram na semana passada.

Por fim, gostaria de agradecer aos nossos aliados e parceiros. Essa operação foi um empreendimento global em todos os sentidos. Muitos países deram grandes contribuições para o transporte aéreo, inclusive trabalhando ao nosso lado no aeroporto. Alguns agora estão servindo como países de trânsito, permitindo que os evacuados sejam registrados e tenham seus dados processados ​​no caminho para seus destinos finais. Outros concordaram em reassentar refugiados afegãos permanentemente e esperamos que mais países façam o mesmo nos próximos dias e semanas. Estamos realmente gratos por todo apoio.

Agora, os voos militares dos EUA terminaram e nossas tropas partiram do Afeganistão. Um novo capítulo do envolvimento da América com o Afeganistão começou. Um caminho que lideraremos com nossa diplomacia. A missão militar acabou. Uma nova missão diplomática se inicia.

Portanto, aqui está o nosso plano para os próximos dias e semanas.

Primeiro, criamos uma nova equipe para ajudar a liderar essa nova missão.

A partir de hoje, suspendemos nossa presença diplomática em Cabul e transferimos nossas operações para Doha, no Catar, que em breve será formalmente notificada ao Congresso. Dado o ambiente de segurança incerto e a situação política no Afeganistão, foi a medida mais prudente a ser tomada. E deixem-me aproveitar esta oportunidade para agradecer ao nosso destacado encarregado de negócios em Cabul, o Embaixador Ross Wilson, que deixou a aposentadoria em janeiro de 2020 para liderar nossa embaixada no Afeganistão, e fez um trabalho excepcional e corajoso durante uma época altamente desafiadora.

Por enquanto, usaremos este posto em Doha para gerenciar nossa diplomacia com o Afeganistão, incluindo assuntos consulares, administração de assistência humanitária e trabalho com aliados, parceiros e partes interessadas regionais e internacionais para coordenar nosso envolvimento e mensagens ao Talibã. Nossa equipe lá será liderada por Ian McCary, que serviu como nosso vice-chefe de missão no Afeganistão no ano passado. Ninguém está melhor preparado para fazer esse trabalho do que ele.

Em segundo lugar, continuaremos nossos esforços incansáveis ​​para ajudar americanos, estrangeiros e afegãos a deixarem o Afeganistão, se assim o desejarem.

Gostaria de falar brevemente sobre os americanos que permanecem no Afeganistão.

Fizemos esforços extraordinários para dar aos americanos todas as oportunidades de deixar aquele país – em muitos casos conversando e às vezes acompanhando-os até o aeroporto.

Daqueles que se identificaram como americanos no Afeganistão, que estavam pensando em deixar o país, até agora recebemos a confirmação de que cerca de 6.000 foram evacuados ou partiram. Esse número provavelmente continuará aumentando à medida que nosso alcance aumenta e as chegadas continuam.

Acreditamos que ainda há um pequeno número de americanos – menos de 200 e provavelmente perto de 100 – que continua no Afeganistão e quer partir. Estamos tentando determinar exatamente quantos são. Estamos analisando manifestos, telefonando e enviando mensagens de texto para nossas listas e teremos mais detalhes para compartilhar o mais rápido possível. Parte do desafio de fixar um número preciso é que há residentes de longa data no Afeganistão que têm passaporte americano e que estavam tentando decidir se queriam ou não partir. Muitos são americanos de dupla cidadania, com raízes profundas e famílias extensas no Afeganistão, que residiram lá por muitos anos. Para muitos, essa é uma escolha dolorosa.

Nosso compromisso com eles e com todos os americanos no Afeganistão – e em todos os lugares do mundo – continua. A proteção e o bem-estar dos americanos no exterior continua sendo a missão mais vital e duradoura do Departamento de Estado. Se um americano no Afeganistão diz que quer ficar por enquanto e, depois em uma semana, um mês ou um ano, ele estender a mão e disser: “Eu mudei de ideia”, nós o ajudaremos a partir.

Além disso, trabalhamos intensamente para evacuar e realocar os afegãos que trabalharam ao nosso lado e correm alto risco de represália. Conseguimos tirar muitos, mas muitos ainda estão lá. Continuaremos trabalhando para ajudá-los. Nosso compromisso com eles não tem prazo final.

Terceiro, faremos com que o Talibã cumpra sua promessa de permitir que as pessoas deixem o Afeganistão livremente.

O Talibã se comprometeu a permitir que qualquer pessoa com documentos adequados deixe o país de maneira segura e ordeira. Eles já disseram isso em particular e publicamente muitas vezes. Na sexta-feira, um alto funcionário do Talibã disse isso novamente na televisão e no rádio, abre aspas: “Qualquer afegão pode deixar o país, incluindo aqueles que trabalham para os americanos, se quiserem e por qualquer outro motivo”, fecha aspas.

Mais da metade dos países do mundo se juntou a nós insistindo para que o Talibã permitisse que as pessoas deixassem o Afeganistão livremente. Até hoje, mais de 100 países disseram esperar que o Talibã honre as autorizações de viagem de nossos países. E apenas algumas horas atrás, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou uma resolução que consagra essa responsabilidade – estabelecendo as bases para responsabilizar o Talibã caso as saídas sejam negadas.

Então, o clamor internacional sobre isso é forte, e continuará forte. Exigiremos do Talibã seu compromisso com a liberdade de movimento de estrangeiros, portadores de visto e afegãos em situação de risco.

Quarto, trabalharemos para garantir a movimentação deles com segurança.

Nesta manhã, encontrei-me com os chanceleres de todos os países do G7 – Reino Unido, França, Alemanha, Canadá, Itália, Japão – assim como com os representantes do Catar, da Turquia, da União Europeia e o secretário-geral da OTAN. Discutimos como trabalharemos juntos para facilitar viagens seguras para fora do Afeganistão, incluindo a reabertura do aeroporto civil de Cabul o mais rápido possível – e apreciamos muito os esforços do Catar e da Turquia, em particular, para fazer isso acontecer.

Isso possibilitaria um pequeno número de voos charter diários, o que é fundamental para quem deseja partir do Afeganistão no futuro.

Também estamos trabalhando para identificar maneiras de apoiar os americanos, os residentes legais permanentes e os afegãos que trabalharam conosco e que podem escolher partir por rotas terrestres.

Não temos ilusão de que nada disso será fácil ou rápido. Esta será uma fase totalmente diferente da evacuação que acabou de ser concluída. Levará algum tempo para superar um novo conjunto de desafios. Mas nós vamos seguir em frente.

John Bass – nosso ex-embaixador no Afeganistão que voltou a Cabul há duas semanas para ajudar a liderar nossos esforços de evacuação do aeroporto – vai liderar nosso trabalho contínuo em todo o Departamento de Estado para ajudar cidadãos americanos e residentes permanentes, cidadãos de nações aliadas, candidatos ao Visto de Imigrante Especial e afegãos em alto risco, caso algum deles queira deixar o Afeganistão. Estamos profundamente gratos por tudo o que John fez em Cabul e por seu compromisso contínuo com esta missão, e também pelo trabalho dos funcionários consulares extraordinários que estavam servindo a seu lado.

Quinto, continuaremos focados no contraterrorismo.

O Talibã se comprometeu a impedir que grupos terroristas usem o Afeganistão como base para operações externas que possam ameaçar os Estados Unidos ou nossos aliados, incluindo a Al Qaeda e o inimigo jurado do Talibã, o ISIS-K. Também cobraremos responsabilidade por esse compromisso. Mas, embora tenhamos expectativas em relação ao Talibã, isso não significa que dependeremos dele. Nós mesmos continuaremos vigilantes no monitoramento de ameaças. E manteremos recursos potentes de contraterrorismo na região para neutralizar essas ameaças, se necessário, como demonstramos nos últimos dias, atacando facilitadores do ISIS e ameaças iminentes no Afeganistão – e como fazemos em lugares ao redor do mundo onde não temos forças militares.

Permitam-me falar diretamente sobre nosso envolvimento com o Talibã nessas e em outras questões. Nos engajamos com o Talibã durante as últimas semanas para permitir nossas operações de evacuação. Daqui para frente, qualquer envolvimento com um governo liderado pelo Talibã em Cabul será impulsionado por apenas uma coisa: nossos interesses nacionais vitais.

Se pudermos trabalhar com um novo governo afegão de uma forma que ajude a proteger esses interesses – incluindo o retorno seguro de Mark Frerichs, um cidadão americano que está refém na região desde o início do ano passado – e de uma forma que traga maior estabilidade para o país e para a região e protege os ganhos das últimas duas décadas, vamos fazê-lo. Mas não o faremos com base na confiança ou fé. Cada passo que dermos será baseado não no que diz um governo liderado pelo Talibã, mas no que aquele governo faz para cumprir seus compromissos.

O Talibã busca legitimidade e apoio internacional. Nossa mensagem é: qualquer legitimidade e qualquer apoio terão que ser conquistados.

O Talibã pode fazer isso cumprindo seus compromissos e obrigações – respeitando a liberdade de viajar; respeitando os direitos básicos do povo afegão, incluindo mulheres e minorias; defendendo seus compromissos em contraterrorismo; não cometendo violência de represália contra aqueles que optam por permanecer no Afeganistão; e formando um governo inclusivo que possa atender às necessidades e refletir as aspirações do povo afegão.

Sexto, continuaremos nossa assistência humanitária ao povo do Afeganistão.

O conflito afetou terrivelmente o povo afegão. Milhões estão deslocados internamente. Milhões estão enfrentando fome ou até mesmo inanição. A pandemia de COVID-19 também atingiu duramente o Afeganistão. Os Estados Unidos continuarão apoiando a ajuda humanitária ao povo afegão. Consistente com nossas sanções ao Talibã, a ajuda não fluirá por meio do governo, mas através de organizações independentes, como agências da ONU e ONGs. E esperamos que esses esforços não sejam impedidos pelo Talibã ou outros.

E sétimo, continuaremos nossa ampla diplomacia internacional em todas essas questões e em muitas outras.

Acreditamos que podemos realizar muito mais – e exercer uma influência muito maior – quando trabalhamos em coordenação com nossos aliados e parceiros. Nas últimas duas semanas, tivemos uma série de intensos compromissos diplomáticos com aliados e parceiros para planejar e coordenar o futuro no Afeganistão. Eu me encontrei com os ministros das Relações Exteriores da OTAN e do G7. Falei cara a cara com dezenas de meus colegas. Na semana passada, o Presidente Biden se reuniu com os líderes dos países do G7. E a vice-secretária de Estado Wendy Sherman tem convocado um grupo de 28 aliados e parceiros de todas as regiões do mundo a cada dois dias.

Doravante, trabalharemos em coordenação estreita com os países da região e de todo o mundo – assim como as principais organizações internacionais, ONGs e o setor privado. Nossos aliados e parceiros compartilham nossos objetivos e estão comprometidos em trabalhar conosco.

Terei mais a dizer sobre esses assuntos nos próximos dias. O ponto principal que quero enfatizar aqui hoje é que o trabalho da América no Afeganistão continua. Temos um plano para o que virá a seguir. Estamos colocando isso em ação.

Este momento também exige reflexão. A guerra no Afeganistão foi uma empreitada de 20 anos. Devemos aprender as lições e permitir que essas lições moldem a forma como pensamos sobre questões fundamentais de segurança nacional e política externa. Devemos isso a futuros diplomatas, formuladores de políticas públicas, líderes das forças militares e militares. Devemos isso ao povo americano.

Mas ao fazermos isso, permaneceremos incansavelmente focados no hoje e no futuro. Garantiremos que encontraremos todas as oportunidades de cumprir nosso compromisso com o povo afegão, inclusive dando as boas-vindas a milhares deles em nossas comunidades, como o povo americano já fez muitas vezes antes, com generosidade e graça, ao longo de nossa história.

Desta forma, homenagearemos todos aqueles homens e mulheres de coragem, dos Estados Unidos e de muitos outros países, que arriscaram ou sacrificaram suas vidas nesta longa missão, até os dias de hoje.

Obrigado pela atenção.


Veja o conteúdo original: https://www.state.gov/secretary-of-antony-j-blinken-remarks-on-afghanistan/

Esta tradução é fornecida como cortesia e apenas o texto original em inglês deve ser considerado oficial.

U.S. Department of State

The Lessons of 1989: Freedom and Our Future