Pronunciamento
Antony J. Blinken, secretário de Estado
Hotel David Kempinski
Tel Aviv, Israel
9 de janeiro de 2024

SECRETÁRIO BLINKEN:  Boa noite.  

Esta é a minha quarta viagem a Israel desde os terríveis ataques do Hamas em 7 de outubro, portanto, estou aqui há pouco mais de três meses — 95 dias — desde que esses ataques ocorreram. 

Sabemos que para as pessoas que foram mais afetadas pelos ataques e o conflito que se seguiu, o tempo passa de forma diferente.

Imediatamente antes disso, eu me encontrei com as famílias dos reféns que estavam detidos em Gaza e com reféns que haviam sido libertados. Até agora, eu já me encontrei com várias dessas famílias muitas vezes. Para elas, cada dia, cada hora, cada minuto em que estão separadas de seus entes queridos é uma eternidade. 

O tempo também parece diferente para as famílias em Gaza, onde centenas de milhares de pessoas estão sofrendo com a insegurança alimentar aguda.  Para a mãe ou o pai que está tentando encontrar algo para alimentar uma criança faminta, a passagem de mais um dia sem comida é excruciante.

O tempo também parece diferente para israelenses e palestinos cujos entes queridos inocentes foram mortos.  Para eles, o tempo geralmente se divide em “antes” e “depois” — o “depois” repleto de uma perda que a maioria de nós nunca conhecerá e não pode imaginar completamente. 

E esses são apenas alguns exemplos de como esses 95 dias foram — e continuam sendo — pesados para as pessoas mais afetadas por esse conflito.

Esse imenso custo humano é uma das muitas razões pelas quais continuamos a apoiar Israel para assegurar que o 7 de Outubro nunca mais possa acontecer.

É também porque estamos intensamente focados em levar os reféns remanescentes para casa, abordar a crise humanitária e fortalecer a proteção de civis em Gaza, e prevenir que o conflito se espalhe. 

E é a razão pela qual estamos trabalhando urgentemente a fim de forjar um caminho rumo a uma paz e uma segurança duradouras nesta região.

Acreditamos que a submissão contra Israel ao Tribunal Internacional de Justiça distrai o mundo de todos esses esforços importantes. E, além do mais, a acusação de genocídio não tem mérito.

É particularmente exasperante, considerando que aqueles que estão atacando Israel — Hamas, Hezbollah, os houthis, bem como seu defensor, o Irã — continuam a apelar abertamente à aniquilação de Israel e ao assassinato em massa de judeus. 

Nesta viagem, vim a Israel depois de me reunir com os líderes de Turquia, Grécia, Jordânia, Qatar, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.

Todos esses líderes compartilham nossa preocupação com a disseminação do conflito.  Todos eles estão empenhados em usar sua influência, usando os laços que possuem a fim de evitar a escalada do conflito e impedir a abertura de novas frentes.

Além disso, todos expressaram grande preocupação com a terrível situação humanitária e o número de civis mortos em Gaza.

Sabemos que enfrentar um inimigo que se instala entre civis — que se esconde em escolas e hospitais, e atira a partir desses locais — torna isso incrivelmente desafiador.  Mas o número diário de vítimas civis em Gaza, principalmente crianças, é alto demais.   

Progressos importantes têm sido alcançados no aumento da quantidade de ajuda que chega a Gaza, inclusive com a abertura de Kerem Shalom.

No entanto, 90% da população de Gaza continua enfrentando insegurança alimentar aguda, de acordo com as Nações Unidas.  Para as crianças, os efeitos de longos períodos sem alimentos suficientes podem ter consequências para toda a vida.   

Como enfatizei em nossas reuniões de hoje, mais alimentos, mais água, mais medicamentos e outros produtos essenciais precisam chegar a Gaza.  E, uma vez em Gaza, eles precisam chegar com mais eficiência às pessoas que precisam deles.   

E Israel precisa fazer tudo o que puder para remover quaisquer obstáculos que estejam nas passagens para outras partes de Gaza.  Melhorar os procedimentos de diminuição de conflitos visando garantir que a ajuda possa ser transportada com segurança é uma parte essencial disso.   

As Nações Unidas estão desempenhando um papel indispensável no atendimento das imensas necessidades humanitárias em Gaza.  Simplesmente não há alternativa.

Funcionários da ONU e outros trabalhadores humanitários em Gaza estão demonstrando uma coragem extraordinária ao continuar a prestar serviços vitais em condições extremamente desafiadoras.

Falei ontem à noite com a nova coordenadora sênior da ONU de Ajuda Humanitária e Reconstrução para Gaza, Sigrid Kaag, sobre todos esses esforços que estão em curso.

Pois bem, Sigrid Kaag é alguém com quem trabalhei em estreita colaboração há alguns anos, quando liderou a missão da ONU que destruiu as armas químicas do regime de Assad na Síria. Portanto, posso dizer por experiência própria que ela tem tudo para realizar esse trabalho.

Ela tem o total apoio dos Estados Unidos. Ela deve ter o de Israel também.

Hoje, também discutimos a transição em fases da campanha militar de Israel em Gaza. Continuamos a oferecer nossos melhores conselhos sobre como Israel pode alcançar seu objetivo essencial de garantir que o 7 de Outubro nunca se repita. E acreditamos que Israel tem obtido progressos significativos em direção a esse objetivo fundamental.

À medida que a campanha de Israel avança para uma fase de menor intensidade no norte de Gaza, e à medida que as Forças de Defesa de Israel reduzem [o contingente de] suas Forças ali, concordamos hoje com um plano para que a ONU realize uma missão de avaliação. Isso determinará o que precisa ser feito visando permitir que palestinos deslocados regressem em segurança às suas casas no norte.

Bem, isso não vai acontecer da noite para o dia. Existem sérios desafios de segurança, de infraestruturas e humanitários. Mas a missão iniciará um processo que avaliará esses obstáculos e como poderão ser superados.

Nas reuniões de hoje também fui absolutamente claro: civis palestinos devem poder regressar a suas casas assim que as condições o permitirem. Não devem ser pressionados a abandonar Gaza. Tal como disse ao primeiro-ministro, os Estados Unidos rejeitam inequivocamente quaisquer propostas que defendam o reassentamento de palestinos fora de Gaza, e o primeiro-ministro afirmou novamente para mim hoje que essa não é a política do governo de Israel.

Falamos também sobre as tensões na fronteira norte de Israel com o Líbano, onde o Hezbollah continua lançando ataques diários com foguetes contra Israel. Como disse ao Gabinete de Guerra e a outros altos funcionários, os Estados Unidos estão ao lado de Israel a fim de garantir a segurança de sua fronteira norte. Estamos totalmente empenhados em trabalhar com Israel para encontrar uma solução diplomática que evite a escalada e permita que famílias regressem às suas casas, para viverem em segurança no norte de Israel e também no sul do Líbano.

Finalmente, continuamos a discutir como construir uma paz e uma segurança mais duradouras para Israel na região. Como disse ao primeiro-ministro, todos os parceiros que conheci nesta viagem disseram que estão prontos para apoiar uma solução duradoura que ponha fim ao longo ciclo de violência e garanta a segurança de Israel. Mas sublinharam que isso só pode acontecer através de uma abordagem regional que inclua um caminho para um Estado palestino.

Esses objetivos são alcançáveis, mas apenas se forem perseguidos em conjunto. Esta crise deixou claro que não se pode ter um sem o outro, e não se pode alcançar nenhum dos objetivos sem uma abordagem regional integrada.

Para tornar isso possível, Israel deve ser um parceiro de líderes palestinos que estejam dispostos a liderar o seu povo a viver lado a lado, em paz com Israel e como vizinhos. E Israel tem de parar de adotar medidas que minam a capacidade de palestinos de se governarem eficazmente. A violência extremista de colonos levada a cabo com impunidade, a expansão dos assentamentos, as demolições e os despejos tornam mais difícil, e não mais fácil, para Israel alcançar a paz e a segurança duradouras. 

A Autoridade Palestina também tem a responsabilidade de se reformar e de melhorar a sua governança — questões que pretendo abordar com o presidente Abbas, entre outras, quando nos reunirmos amanhã.

Se Israel quiser que seus vizinhos árabes tomem as decisões difíceis necessárias a fim de ajudar a garantir sua segurança duradoura, os próprios líderes israelenses terão de tomar decisões difíceis.

Quando o presidente Biden fez um pronunciamento ao povo de Israel, dias após o ataque de 7 de outubro, ele fez uma promessa muito simples: os Estados Unidos apoiam Israel hoje, amanhã, sempre. A amizade entre nossas nações é verdadeiramente excepcional. É nosso vínculo especial e o compromisso duradouro dos Estados Unidos com o povo de Israel que permite — na verdade, exige — que sejamos tão francos quanto possível nos momentos em que os riscos são mais elevados, quando as escolhas são mais importantes. Este é um daqueles momentos.

Será um prazer responder a algumas perguntas.


Veja o conteúdo original: https://www.state.gov/secretary-antony-j-blinken-at-a-press-availability-45/

Esta tradução é fornecida como cortesia e apenas o texto original em inglês deve ser considerado oficial. 

U.S. Department of State

The Lessons of 1989: Freedom and Our Future